Investimento em maquinário aumenta em até 10 vezes a eficiência no processamento de recicláveis em cooperativa apoiada pela BVRio
Uma prensa horizontal adquirida pela Cooperativa Popular Amigos do Meio Ambiente (Coopama),no âmbito do projeto Cooperar para Reciclar, apoiado pela BVRio, aumentou em até 10,8 vezes a eficiência no processamento de materiais recicláveis, segundo levantamento realizado na operação da cooperativa, no Rio de Janeiro. Os resultados mostram o impacto da mecanização, mas também revelam um desafio para o setor: transformar o aumento da capacidade dos equipamentos em mais material efetivamente recuperado exige investimentos coordenados em toda a operação.
No processamento de PET, a capacidade da prensa passou de 2,5 kg por minuto para 27 kg por minuto, um ganho de 10,8 vezes. Para plástico duro, passou de 5 para 27 kg por minuto (5,4 vezes) e, no papelão, de aproximadamente 7,3 para 19 kg por minuto (2,6 vezes). Considerando os três materiais analisados, o ganho médio de eficiência na prensagem foi superior a seis vezes.
O aumento da capacidade de prensagem, porém, não se traduz automaticamente em crescimento equivalente da produção da cooperativa. Para utilizar todo o potencial do equipamento, é necessário que haja volume suficiente de recicláveis chegando à operação e capacidade correspondente nas etapas de coleta, triagem, armazenamento, transporte e comercialização.
“Quando aumentamos muito a eficiência de uma etapa, o gargalo pode simplesmente passar para outro ponto da operação. Uma prensa capaz de processar seis vezes mais material só alcança esse potencial se coleta, triagem e logística conseguirem acompanhar. Por isso, o investimento precisa considerar a operação como um sistema”, explica Pedro Succar, diretor de Economia Circular da BVRio e gerente do projeto.
Mecanização melhora as condições de trabalho e a segurança dos cooperados
Outro investimento do projeto, uma empilhadeira, trouxe ganhos importantes para as condições de trabalho dos cooperados. Antes, a movimentação dos fardos até os caminhões dependia de trabalho manual intenso.
“Na prensagem do PET, passamos de 2,5 para 27 quilos por minuto. Com a empilhadeira, três cooperados conseguiram carregar 10,8 toneladas em cerca de 30 minutos; antes, o mesmo trabalho exigia seis pessoas, levava mais de uma hora e deixava a equipe exausta. Agora, nosso desafio é ampliar a coleta e garantir a entrada de material suficiente para aproveitar plenamente essa nova capacidade, gerando mais produtividade, segurança e renda para os cooperados”, afirma Luiz Fernandes, diretor-presidente da Coopama.
A experiência reforça os benefícios da modernização das cooperativas, combinando equipamentos com melhorias nas demais etapas da cadeia. Os avanços também dão continuidade aos investimentos em saúde e segurança no trabalho realizados pelo projeto, incluindo a instalação de uma prensa vertical e a capacitação dos cooperados para sua operação segura.
“Mais do que instalar um equipamento, o objetivo é criar condições para que a cooperativa consiga aproveitar essa capacidade. Quando coleta, processamento e logística evoluem de forma coordenada, o investimento pode se converter em mais material recuperado, melhores condições de trabalho e aumento de renda para o cooperado”, acrescenta Succar.
A iniciativa integra o trabalho mais amplo da BVRio de apoio ao fortalecimento e à profissionalização de cooperativas de catadores de materiais recicláveis, que combina assistência técnica, melhorias na infraestrutura e na gestão operacional para promover condições de trabalho mais seguras, maior produtividade e sustentabilidade econômica.