Pescando Resíduos recebe endosso da Década do Oceano da ONU

O programa Pescando Resíduos, da BVRio, foi oficialmente endossado como Projeto da Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável 2021–2030.

O endosso foi concedido pelo secretário-executivo da Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO (COI-UNESCO), após uma avaliação formal da contribuição do projeto para a visão da Década do Oceano de promover “a ciência de que precisamos para o oceano que queremos”. A Década do Oceano oferece uma estrutura global por meio da qual cientistas, governos, sociedade civil, comunidades e setor privado trabalham juntos para desenvolver e aplicar conhecimentos em favor de um oceano mais saudável e sustentável.

O endosso do Pescando Resíduos reconhece o potencial do programa para transformar a experiência e o conhecimento ecológico tradicional dos pescadores artesanais em dados rastreáveis, evidências práticas e soluções capazes de subsidiar a gestão costeira e as políticas de combate à poluição marinha.

“Este endosso confirma que a recuperação de resíduos marinhos liderada por comunidades pode ir muito além da remoção de resíduos. Nosso programa combina o conhecimento dos pescadores com uma rastreabilidade robusta, permitindo que cada coleta gere evidências para aprimorar a gestão costeira, ao mesmo tempo que cria trabalho ambiental remunerado para comunidades na linha de frente da poluição marinha”, afirmou Pedro Succar, especialista em Economia Circular da BVRio.

O momento é particularmente significativo para um programa sediado no Rio de Janeiro, uma vez que a Conferência da Década do Oceano de 2027 será realizada na cidade, reunindo a comunidade oceânica global no território que está no centro da atuação do Pescando Resíduos.

O reconhecimento também insere o programa em uma comunidade internacional de Ações da Década oficialmente endossadas, abrindo novas oportunidades de cooperação científica, compartilhamento de conhecimentos, desenvolvimento de capacidades e replicação do modelo em outras regiões costeiras.

Conectando o conhecimento local a uma rede oceânica global

O programa anfitrião do Pescando Resíduos no âmbito da Década do Oceano é a SmartNet – Sustainability of Marine Ecosystems through Global Knowledge Networks.. Liderada pelo Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES) e pela Organização de Ciências Marinhas do Pacífico Norte (PICES), a rede conecta organizações e parceiros ligados à ciência oceânica em todo o mundo.

A SmartNet convidou a BVRio e seus parceiros comunitários a contribuir com a Ocean We Want Survey, pesquisa global liderada pelo professor Mitsutaku Makino, da Universidade de Tóquio.

“À medida que entramos na segunda metade da Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, chegou a hora de discutir o que alcançamos até agora e os desafios que permanecem. A participação de pesquisadores brasileiros em nossa pesquisa global é muito bem-vinda”, afirmou Mitsutaku Makino, professor da Universidade de Tóquio e presidente do Ocean Policy Research Institute da Sasakawa Peace Foundation.

A pesquisa investiga como pessoas de diferentes países e regiões imaginam o oceano que desejam e quais questões consideram prioritárias para a Década do Oceano. Após estudos piloto na Austrália, na França, no Japão e nos Estados Unidos, a equipe prepara a expansão da pesquisa para o Brasil, com o apoio da BVRio para estabelecer conexões com comunidades brasileiras.

“A forte conexão da BVRio com as comunidades locais cria uma importante oportunidade para estender a Ocean We Want Survey ao Brasil e incluir as perspectivas brasileiras nessa iniciativa global”, afirmou a Dra. Sanae Chiba, copresidente da SmartNet e secretária-executiva adjunta da Organização de Ciências Marinhas do Pacífico Norte (PICES).

Avanço da pesquisa e construção das evidências necessárias para ampliar o modelo

O programa Pescando Resíduos da BVRio foi selecionado para receber financiamento por meio do Programa Pesquisador na Empresa, da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Com esse apoio, dois pesquisadores realizarão pesquisa aplicada para o projeto, fortalecendo sua base de evidências e desenvolvendo abordagens para a logística reversa costeira. O trabalho contribuirá para os objetivos do Pescando Resíduos como Projeto da Década do Oceano endossado pela ONU.

“O apoio da FAPERJ nos permitirá fortalecer as bases científicas do programa e transformar a experiência de campo em protocolos mais robustos para a logística reversa costeira. Isso nos ajudará a aprimorar o modelo na Baía de Guanabara e apoiar sua replicação em outras regiões”, afirmou Maria Accioly, especialista em Economia Circular da BVRio.

Até 2030, a BVRio e seus parceiros continuarão trabalhando para:

  • remover resíduos acumulados ao longo do tempo em ecossistemas marinhos e costeiros sensíveis;
  • fortalecer as capacidades técnicas e organizacionais das comunidades pesqueiras participantes;
  • ampliar o acesso aos dados sobre resíduos marinhos e sua utilização;
  • conectar o conhecimento das comunidades à pesquisa científica e às políticas públicas;
  • expandir o modelo para outras comunidades costeiras que enfrentam desafios semelhantes.
Reconhecimento na região metropolitana da Baía de Guanabara

Foto: SEIM/Instagram

Na sexta-feira, 25 de setembro, o Pescando Resíduos recebeu o Prêmio SEIM Integrando Ações durante o seminário “Gestão de Resíduos: Desafios e Soluções para as Cidades Metropolitanas”, promovido pela Secretaria Especial de Integração Metropolitana (SEIM) do Rio de Janeiro.

Juliana de Paula de Miranda, analista de Economia Circular da BVRio, recebeu o prêmio e participou do debate com gestores públicos e especialistas sobre um desafio que ultrapassa os limites municipais. A região hidrográfica mais ampla que engloba a Baía de Guanabara abrange, total ou parcialmente, 17 municípios. Os resíduos transportados pelos cursos d’água chegam aos ecossistemas costeiros e afetam as comunidades pesqueiras que deles dependem. O prêmio reconhece o trabalho dos pescadores artesanais e parceiros que retiram esses resíduos da baía, registram o que encontram e contribuem para a recuperação desses ecossistemas.

Saiba mais sobre o Programa Pescando Resíduos

Sobre a Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável

Proclamada em 2017 pela Assembleia Geral das Nações Unidas, a Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável 2021–2030 (a “Década do Oceano”) busca estimular a ciência oceânica e a geração de conhecimentos para reverter o declínio do estado do sistema oceânico e catalisar novas oportunidades de desenvolvimento sustentável nesse vasto ecossistema marinho.
A visão da Década do Oceano é promover “a ciência de que precisamos para o oceano que queremos”. A Década oferece uma estrutura de articulação para que cientistas e partes interessadas de diversos setores desenvolvam os conhecimentos científicos e as parcerias necessários para acelerar e aproveitar os avanços da ciência oceânica, ampliar a compreensão do sistema oceânico e oferecer soluções baseadas na ciência para o cumprimento da Agenda 2030.
A Assembleia Geral das Nações Unidas atribuiu à Comissão Oceanográfica Intergovernamental da UNESCO (COI-UNESCO) a responsabilidade de coordenar a preparação e a implementação da Década.
#OceanDecade

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