Conheça mais sobre o manejo da Reserva Verde para Sempre

Na intersecção entre o Rio Amazonas o Rio Xingu encontra-se a Reserva Extrativista Verde para Sempre (Resex-VP), no município paraense de Porto de Moz, estado do Pará. O território, com dimensões maiores que o Líbano (cerca de 1, 3 milhão de hectares), é uma fonte abundante de recursos florestais e que há décadas têm viabilizado a sobrevivência de famílias e abastecido a indústria madeireira.

Membros da Coomnspra durante auditoria para certificação. Preparativos para o Manejo Florestal. Foto_ Acervo IEB (2)

Foto: Acervo IEB

Desde 2005 a extração sustentável dos recursos ganhou força entre os moradores da Reserva, principalmente com a adoção do Manejo Florestal Comunitário e Familiar, que viabiliza a extração de árvores de grande valor comercial a partir de técnicas de baixo impacto. Uma das organizações que atua com essa prática é a Cooperativa Mista Agroextrativista Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Rio Arimum (Coomnspra). Em 2016, a entidade recebeu o selo de certificação FSC.

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Além da cooperativa, outras cinco organizações comunitárias (Comunidades de Itapéua, Por Ti Meu Deus, Espírito Santo, Ynumbi e Paraíso), possuem plano de manejo aprovado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).  A área de extração das seis instituições equivale a mais de 40 mil hectares, cerca de 3% da área total da Resex. As operações de extração envolvem diretamente 305 famílias de seis comunidades no processo de gestão e exploração florestal.

No primeiro semestre de 2017, os seis lotes disponíveis na Resex totalizam aproximadamente 12 mil m³ de madeira em tora (diversas espécies como Cumaru, Muiracatiara, Maçaranduba, Angelim, Jatobá, etc), dos quais estão disponíveis para venda cerca de 70% do total (ou aproximadamente 8 mil m³ de madeira em tora).

Foto: Acervo IEB

Foto: Acervo IEB

Mesmo com o avanço organizativo e técnico, ainda há muitos desafios a serem superados- desde as dificuldades de gestão até a competição com o mercado ilegal. Muitas madeireiras atropelam os processos desenvolvidos com foco na sustentabilidade, assediando os comunitários a traçar um caminho fora dos parâmetros corretos de manejo, comenta Maria Ribeiro, representante do Comitê de Desenvolvimento Sustentável (CDS), entidade sem fins lucrativos criada em 2002 para trabalhar em prol das comunidades rurais do município de Porto de Moz.

“Essas empresas madeireiras (locais), além de trabalharem na ilegalidade, não acreditam que as comunidades têm competência de comercializar seus produtos, de assumir a gestão de um empreendimento florestal. Preferem negociar com atravessadores, enfraquecendo o valor do nosso produto”, explica Ribeiro.

O desafio é superar esses gargalos, apoiar organizações comunitárias e manter o nome da Resex – Verde para Sempre, uma realidade para futuras gerações.

“Nossa expectativa com a BVRio é que possamos encontrar empresas sérias para colocar a madeira em circulação dentro da legalidade, contribuindo com o bem estar das famílias e ajudando a conservação do meio ambiente”, conclui Maria Ribeiro.

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PARCERIAS

Além das organizações comunitárias, responsáveis pela execução dos planos de manejo, destaca-se a atuação de parceiros institucionais, essenciais para consolidar a exploração sustentável na Resex. Elas atuam de forma articulada e buscam favorecer os processos de colheita, gestão e comercialização da madeira.

A seguir, destacamos algumas das parcerias:

  • Comitê de Desenvolvimento Sustentável (CDS): acompanha o trabalho das às comunidades;
  • Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB) e o Instituto Floresta Tropical (IFT): prestam assessoria junto às organizações comunitárias nos aspectos organizacionais e técnicos;
  • O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) exercendo um papel de parceria na gestão compartilhada da Resex;
  • O Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e a Universidade Federal do Pará (UFPA) atuando conjuntamente, a partir de um Termo de Execução Descentralizada (TED) que tem o objeto de prestar de serviços de planejamento e apoio a execução de planos de manejo florestal comunitário na Reserva Extrativista;
  • E organizações de cooperação nacional e internacional como o Fundo Vale, Clua e USFS/USAID, as quais tem sido fundamental no fomento junto às organizações parceiras.