Big Data ajuda a combater a madeira ilegal no Brasil

O Instituto BVRio (iBVRio) publicou hoje um novo estudo sobre o “Uso de big data para detecção de ilegalidade no setor de madeira tropical“. As análises conduzidas no estudo indicam que mais de 40% dos manejos florestais localizados nos estados do Pará e Mato Grosso podem estar envolvidos com irregularidades graves, incluindo roubo de madeira de unidades de conservação e reservas indígenas e esquentamento de madeira através dos sistemas de controle governamentais. Somente 10% dos casos analisados pelo iBVRio não apresentou nenhum indício de irregularidade.
Estes dados são provenientes de análise de big data, conduzida pelo Sistema de Due Diligence e Avaliação de Risco da BVRio, que cruza informações públicas de 2007 até 2015 de 100% das unidades de manejo florestal localizadas na Amazônia. Além dos dados sobre ilegalidade, o diagnóstico revela também os métodos utilizados para a extração de madeira ilegal, os principais tipos de fraude praticadas pelo setor e como a falta de controle sobre esse mercado está resultando na redução de demanda pela madeira amazônica.
O iBVRio tem usado análise de big data para ajudar agências ambientais e aduaneiras, exportadores, traders e empresas do setor interessadas em garantir a legalidade da madeira. O Sistema de Due Diligence e Avaliação de Risco faz mais de 2 bilhões de cruzamentos de dados diariamente, e é capaz de realizar até 150 análises individuais para cada lote de madeira. Essas análises levam em consideração se existem indícios de irregularidades, não-adequação ou ilegalidade comprovadas (ex., registros de autuações ou embargos emitidos por agências governamentais, superposição de áreas de exploração com terras públicas) ou se existem riscos ou probabilidades de ocorrência de irregularidades, não-adequação ou ilegalidades no futuro. A capacidade de detecção de irregularidades e de acerto do sistema é 99% dos casos.
Esta iniciativa tem o objetivo de contribuir para os objetivos da Coalizão Clima, Florestas e Agricultura, em particular seu eixo Florestal e Agrícola e propostas relacionadas à melhoria da Economia Florestal, e teve apoio financeiro do UK Department for International Development DFID (Forest Governance Markets and Climate Programme – FGMC), Good Energies Foundation e E2 Sócio Ambiental.
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